Sociedade não preparada para viver até os 100 anos, diz Umeoka

A Nova Realidade da Longevidade: Viver até os 100 Anos

Com os avanços significativos nas áreas da medicina e da ciência, a expectativa de vida está se estendendo e viver até os 100 anos está se tornando uma perspectiva cada vez mais comum para as novas gerações. Entretanto, a qualidade de vida durante esses anos adicionais requer uma transformação na mentalidade social. Essa mudança deve ocorrer de uma visão que lamenta os desafios do envelhecimento para uma que reconhece e valoriza as contribuições dos indivíduos mais velhos à sociedade e à economia.

O Papel da Educação e da Transição de Carreira

Emilio Umeoka, um influente embaixador do Centro de Longevidade da Universidade Stanford, ressalta a importância de repensar o que significa envelhecer. Ele afirma que as crianças nascidas a partir de 2002 nos Estados Unidos têm uma chance significativa de viver até os 100 anos. Isso implica que muitos terão que trabalhar por um período prolongado, com novas formas de abordagem em relação às suas carreiras. Ao invés de seguir um caminho tradicional de estudo, trabalho e aposentadoria, a expectativa é que haja múltiplas transições de carreira ao longo da vida.

Umeoka destaca que o projeto “Novo Mapa da Vida” é fundamentado em dez pilares, sendo um deles o conceito de aprendizado contínuo, conhecido como lifelong learning. Essa ideia não é apenas um conceito teórico para ele; Umeoka transformou essa filosofia em um princípio orientador de sua vida profissional e pessoal, enfatizando a importância de um aprendizado constante.

Os Dez Pilares do Novo Mapa da Vida

  • Utilizar a diversidade etária como um recurso.
  • Criar comunidades que estejam preparadas para a longevidade.
  • Alinhar a duração da saúde com a duração da vida.
  • Estabelecer segurança financeira desde o início da vida produtiva.
  • Investir nos centenários do futuro para obter um maior retorno.
  • Apoiar as transições de vida ao longo do tempo.
  • Promover o aprendizado ao longo da vida.
  • Trabalhar por mais anos com maior flexibilidade.
  • Aproveitar os avanços científicos e tecnológicos para moldar o futuro do envelhecimento.
  • Assegurar que os benefícios dos avanços sejam acessíveis a toda a população.

Experiência Pessoal e Profissional de Umeoka

Com uma carreira notável em grandes empresas de tecnologia, Umeoka dedicou três anos ao planejamento de sua aposentadoria antes de deixar seu emprego na Microsoft, onde atuou como presidente no Brasil e Singapura. Sua trajetória incluiu passagens por empresas como Juniper Networks, Splunk e Apple, onde foi vice-presidente global de vendas. Após essa fase, ele se matriculou no programa Distinguished Careers Institute (DCI) da Universidade Stanford, que foca na renovação de propósito, construção de comunidades e na reavaliação dos aspectos de saúde física, mental e social.

“Voltar à faculdade após quase 40 anos foi uma experiência transformadora”, diz Umeoka. Durante seu tempo na Stanford, ele se interessou profundamente pelo estudo da longevidade e agora atua como embaixador do Stanford Center of Longevity. Para ele, trabalhar nesse tema e seu impacto na sociedade representa um compromisso de longo prazo, que ele estima durar entre 20 a 30 anos.

Engajamento e Saúde na Terceira Idade

Aos 62 anos, Umeoka continua ativo no setor de tecnologia, oferecendo mentoria a startups no Vale do Silício e em empresas brasileiras, através do evento “Brazil at Silicon Valley”. Em sua vida pessoal, ele incorporou tecnologia de ponta para monitorar sua saúde, utilizando dispositivos como medidores de glicose e anéis de monitoramento de desempenho e sono, tudo conectado ao seu Apple Watch. Essa integração de tecnologia não é apenas uma questão de saúde, mas parte de um projeto maior que ele chama de “vovô saudável”.

“Estou empregando tudo o que aprendi para aproveitar mais tempo com minhas filhas e neta, além dos netos que estão por vir”, afirma Umeoka. Para ele, a receita para um envelhecimento saudável envolve estar constantemente engajado e aprendendo, o que não só melhora sua qualidade de vida, mas também o conecta mais profundamente com sua família.

A Importância de um Novo Paradigma

A sociedade precisa se preparar para essa nova realidade da longevidade. Não é suficiente somente viver mais; é crucial viver com qualidade. A mudança na forma como percebemos o envelhecimento e a valorização das experiências e habilidades dos mais velhos é fundamental para criar comunidades mais inclusivas e sustentáveis.

Com o aumento da longevidade, a expectativa é que as pessoas não apenas vivam mais, mas que também contribuam ativamente para a sociedade em várias capacidades ao longo de suas vidas. O desafio agora é garantir que todos tenham acesso a oportunidades de aprendizado e desenvolvimento, independentemente de sua idade ou condição socioeconômica.


Observação Importante: As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação ou o acompanhamento profissional. Sempre consulte um médico ou especialista em saúde para orientações personalizadas.

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